Homem entra armado em agência do INSS na BA; peritos denunciam riscos

Publicado em: 30/03/2016

A entrada de um homem armado em um consultório de perícia médica da Agência de Previdência do bairro de Brotas, maior unidade de Salvador, provocou reações da Associação Nacional de Médicos Peritos (ANMP) e Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), que promoveram uma coletiva à imprensa na tarde desta segunda-feira (28).
As entidades denunciam a demissão de profissionais de vigilância e a retirada de itens de segurança das unidades da capital sob a justificativa de contenção de gastos.
Conforme Edriene Teixeira, diretora da ANMP, a identificação de homem armado na agência de Brotas ocorreu na manhã de quarta-feira (23). O segurado, que estava afastado do trabalho após ferida em uma das pernas, reclamava da alta médica emitida pela unidade.
Numa perícia anterior foi verificado que ele não estava mais incapaz e, cessado o benefício para retorno ao trabalho, ele vinha para uma perícia que chamamos de reconsideração, que é quando o indivíduo que teve o benefício cessado tem a oportunidade de fazer uma nova avaliação parcial para verificar se houve alguma modificação daquela situação anterior que cessou o benefício, conta.

Teixeira afirma que o homem chegou a unidade nervoso e fez ameaças à perita que promovia o atendimento. Ele adentrou no consultório já muito ríspido, muito nervoso, reclamando da alta, dizendo que teve perdas financeiras por causa do INSS, que isso não ficaria assim, detalha. Após ouvir as reclamações, a médica examinou o segurado e identificou a arma.
Ela [a perita] foi examiná-lo. Ao examinar, ela percebeu que ele estava armado e disse que ele não poderia entrar armado. Ela saiu pela rota de fuga e foi para o consultório ao lado, acionou a segurança, porque não tem botão do pânico, nem alarme para acionar imediatamente, afirma a diretora da ANMP.
Teixeira acrescenta que o homem se identificou como policial à vigilância e saiu da unidade. O vigilante desarmado diante de uma pessoa com revólver municiado nada pôde fazer e ele [o segurado] evadiu-se. Os dados do beneficiário foram repassados para a Delegacia de Repressão a Crimes Previdenciários (Deleprev), que integra a estrutura da Polícia Federal. O órgão investiga o caso.

Insegurança
De acordo com Edriene Teixeira, diretora da ANMP, todas as unidades do INSS da capital apresentam fragilidade de segurança.
Hoje nós não temos absolutamente nada. Desde de setembro de 2015 foram retirados todos os equipamentos de monitoramento e vigilância. Nós perdemos o segurança da noite, que ficava a partir das 19h, para que o perito que se excedesse no seu horário; nós perdemos a vigilância armada e autorizada nessa agência [de Brotas]; nós perdemos os detectores de metais; [perdemos também] os equipamentos de monitoramento (câmeras, alarmes e botão do pânico); nós não temos sequer um guarda-volumes, para que seja pedido que o segurado deixe seus volumes antes de entrar no consultório médico pericial, denuncia.
Elizabete Pereira, perita médica que atua na unidade de Brotas, afirma que um dossiê que aponta as fragilidades das unidades já foi emitido ao MPF, após a greve da categoria em 2014, e que nenhuma providência foi tomada. A situação vem se agravando de forma que está intolerável. Os nossos riscos de vida agora são maiores do que já foram. Hoje estamos praticamente sem um item de segurança nas agências, reclama.

Conforme Francisco Magalhães, presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), a assessoria jurídica da entidade foi colocada à disposição dos médicos peritos que atuam no INSS. Fizemos contato com o MPF e nossos advogados estão tomando as providências, afirma.
Diretora da ANMP, Edriene Teixeira descreve uma série agressões sofridas por elas e por colegas devido à falta de segurança das agências. Em 2007, um segurado entrou no meu consultório com três facas, dentre elas uma peixeira. Eu trabalhava na agência do Bonfim. A partir daí, foram ocorrendo casos e casos de agressão, de virar a mesa em cima do perito, de quebrar computador. Um segurado, na agência de Brotas, em 2008, quebrou toda a sala de espera. Isso nós temos a filmagem, porque na época nós tínhamos câmeras de monitoramento de vigilância. Foi detido. Em 2009, eu fui espancada dentro do consultório da agência do Comércio por uma segurada inconformada com a alta. Ela trancou a porta e ali iniciou uma sessão de tortura. Ela me bateu, rasgou minha roupa, tentou me esganar, detalha.
Ações
Por meio de nota, a gerência-executiva do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) disse que, sobre o caso ocorrido na Agência da Previdência Social no bairro de Brotas, concorda que a Instituição precisa buscar as alternativas de segurança, a fim de coibir e eliminar fatos indesejáveis que coloquem em risco a integridade física de servidores médicos e administrativos e da própria sociedade em busca de atendimento nas unidades da Previdência Social.
O órgão conta que algumas providências já vêm sendo tomadas pela administração local, como por exemplo, remanejar de vigilantes de ambos os sexos para possíveis revistas. A gerência do INSS conta que dois detectores de metais manuais já foram disponibilizados para que os vigilantes inspecionem todos os segurados antes do acesso a área de perícia, igual medida já está implantada na Agência Comércio. O órgão acrescenta que aguarda também uma doação do Ministério Público do Trabalho de 40 detectores de metais manuais.
Enquanto isso, a gerência do INSS detalha que abre processo para adquirir o mesmo quantitativo de detectores, com recursos da Superintendência do INSS no Nordeste, para equipar todas as unidades de atendimento da Capital, Região Metropolitana e cidades circunvizinhas. Quanto à instalação da vigilância eletrônica, o INSS em Salvador diz que aderiu a um polo de contratação em andamento e, paralelamente a isso, conta que há um processo em andamento para esse fim, na própria gerência de Brotas.

Fonte: G1 (28/03/2016)










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