Médico é preso na Região Serrana do Rio por abusar de mulheres durante perícia do INSS

Publicado em: 28/03/2018

Médico perito do INSS acusado de abusar de seguradas em Petrópolis – Reprodução

RIO – Acusado de crimes de violação sexual mediante fraude e de tentativa de estupro ocorridos dentro de um consultório de um posto do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), o médico e perito do INSS Célio Neves Retondaro, de 70 anos, foi preso no último dia 15, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Especializado em medicina do trabalho, ele teve a prisão decretada pela Justiça Federal após ser condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal a uma pena de 21 anos e seis meses de prisão.

Alvo de um processo administrativo, por conta das denúncias de abuso, o perito perdeu o cargo que ocupava e foi demitido do serviço público. De acordo com o Ministério Público federal, pelo menos cinco mulheres foram vítimas do médico entre os anos de 2011 e 2013. Todas eram seguradas que precisaram passar por perícia para obter o benefício de auxílio-doença e tinham entre 30 e 40 anos de idade na época dos fatos. Elas prestaram depoimento e relataram que os ataques aconteceram durante o exame pericial, em um dos consultórios de um posto do INSS de Petrópolis.

Segundo Charles Stevan, da Procuradoria da República no município de Petrópolis e responsável pela denúncia que resultou na condenação de Célio Retondaro, uma das vítimas relatou que, quando estava sendo examinada, o médico chegou a colocar o pênis para fora da calça e tentou segurar a mão da paciente. O estupro não foi consumado porque ela reagiu com gritos. Em um outro ataque, uma segurada contou em depoimento ter sido apalpada nos seios pelo médico. Um terceira afirmou que o perito lhe deu um um tapa nas nádegas quando ela se levantava de uma maca onde havia sido examinada. No mesmo processo, uma quarta mulher disse ter tido a saia levantada pelo perito durante o atendimento.

Todos os abusos ocorreram quando as seguradas estavam sozinhas com o médico. Uma das vítimas foi assediada em três ocasiões distintas pelo perito. Segundo o procurador, após passar pelo primeiro abuso, ela ainda tentou pedir que o novo exame fosse feito por outro profissional, mas não conseguiu a transferência.

— são seguradas que precisaram se submeter a esta perícia para receber o benefício previdenciário, o auxílio-doença. Essa que passou por mais de um episódio de assédio tentou, na verdade, quando soube que seria novamente analisada por este perito, pedir que houvesse uma troca (de médico). Mas, foi informada na ocasião que a escolha era feita pelo sistema informatizado, e que naquele momento não era possível fazer esta troca. Então mesmo contra a vontade ela teve que se submeter a isso — disse o procurador.

Segundo Charles Stevan, existe a hipótese de que outras mulheres que não procuraram a polícia também tenham sido sido assediadas por Célio Neves Retondaro.

— Acredito na existência de outras vítimas. Foi graças as mulheres que tiveram coragem de denunciar que conseguimos tirar esse médico do serviço público — disse o procurador.

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Célio Neves Retondaro começou a ser investigado pela 105ª DP (Petrópolis) em 2011, mas o caso acabou sendo remetido para a Divisão da Polícia Federal de Petrópolis, que concluiu a investigação .

— Chegamos a localizar duas vítimas e verificamos a existência de mais mulheres que passaram pelo mesmo problema. O caso foi remetido para a Polícia Federal já que o crime ocorreu no interior de um órgão federal — disse a delegada Daniele Amorim, que trabalhava como delegada adjunta na 105 ª DP na época dos fatos, e que atualmente está à frente da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Belford Roxo.

Célio Neves Retondaro chegou a ser absolvido das acusações em um primeiro julgamento, também feito pela Justiça Federal. O MPF recorreu da decisão inicial e o caso foi julgado em segunda instância pelo TRF, quando ele foi condenado. Segundo a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), o médico está em um presídio do sistema penitenciário desde o último dia 15. O nome da unidade não foi revelado pela Seap, e a reportagem não conseguiu contato com o advogado do médico.

Fonte: O Globo










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